Sobre a Miastenia grave

A gravidez não é contra-indicada quando há miastenia, mas é considerada de alto risco. De modo geral, 1/3 das mulheres com miastenia que engravidam melhora, 1/3 piora e 1/3 permanece com a doença sem maiores alterações. É fundamental que o neurologista e o ginecologista/obstetra trabalhem de forma integrada e que a mulher se encontre em boa situação clínica durante a gravidez.

As mulheres grávidas com miastenia necessitam de um monitoramento freqüente da doença. É importante estar atento ao ajuste do tipo e da dose do medicamento em uso. Repousar e evitar estresse físico e emocional são medidas essenciais uma vez que há possibilidade de exacerbações da doença. O monitoramento fetal é importante para detectar uma possível fraqueza muscular no feto, a chamada miastenia fetal.

O risco de uma crise miastênica, com dificuldades respiratórias, é uma preocupação sempre presente nas mulheres com miastenia que engravidam. Por essa razão, o acompanhamento clínico deve ser estreito e os medicamentos em uso devem ser monitorados rigorosamente. Certas medicações são contra-indicadas porque podem piorar a miastenia ou prejudicar o feto. O parto é um momento de risco e requer atenção especial. O esforço do trabalho de parto pode aumentar a fadiga e levar a uma crise miastênica. A escolha da anestesia é uma decisão muito importante: certos anestésicos são absolutamente contra-indicados, pois podem provocar crise miastênica. A cesariana só deve ser escolhida por razões obstétricas já que uma cirurgia é bastante estressante e requer o uso de anestesia geral.

Miastenia neonatal transitória

Cerca de 20% dos recém-nascidos de mães com miastenia apresentam miastenia neonatal transitória. Essa miastenia é causada pela transferência de anticorpos maternos pela placenta.

Os bebês com miastenia neonatal apresentam dificuldades para sugar e deglutir o leite, fraqueza muscular, dificuldades respiratórias, choro enfraquecido, debilidade nos músculos faciais e oculares. Com o tratamento, a recuperação ocorre em poucas semanas. Essa forma de miastenia é chamada de transitória porque o recém-nascido não produz os anticorpos e a miastenia desaparece em algumas semanas.

 
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